A Rede



A Rede é considerada a instituição da nossa época. É um modelo sistemático de organização social. É um sistema aberto, constantemente pronto para ser reorganizado, capaz de promover contínuas transformações. Marilyn Ferguson, em A Conspiração Aquariana, afirma que as redes são como as raízes da grama: autogeradoras, auto-organizadoras... representam um processo, uma jornada, não uma estrutura cristalizada.
Antropólogos que se dedicaram ao estudo das redes de protesto social, entre os anos 60 e 80, apontaram que uma organização, representada num organograma convencional, mostraria retângulos metodicamente ligados, enquanto um sistema de Rede pareceria uma rede de pesca, com inúmeros nós de tamanhos variáveis, cada qual ligado a todos os outros, de forma direta ou indireta. Assim organizados, os pequenos grupos tornam-se capazes de transformar uma sociedade inteira, conectando pessoas e interesses de formas surpreendentes, em diversas ações que fomentam a invenção e a criatividade.
No mundo contemporâneo, as redes tornaram-se instrumentos de evolução humana e representam mudança social. Em uma época em que as telecomunicações criaram um mundo virtual, nos moldes de uma gigantesca teia, que se equipara a uma rede neural da consciência humana, a Rede Arte na Escola sente que já traçou o seu urdume e que as tramas estão sendo trançadas por todos os que participam das atividades da Rede Arte na Escola.
Somos cidadãos do futuro, habitantes de um novo amanhã onde não há espaço para empreendimentos solitários.

O que é a Rede Arte na Escola


A Rede Arte na Escola centra seu trabalho atualmente na consolidação dos pólos existentes, tendo como missão viabilizar e disseminar iniciativas que favoreçam o seu fortalecimento como rede de excelência no ensino da arte. Ao longo desse processo, evidenciou-se a valorização da relação entre pesquisa e ensino nas propostas contextualizadas e reflexivas de ensino da arte, de norte a sul do país - o que tem qualificado, de forma substancial, os resultados obtidos por professores e alunos.
O trabalho em Pólos vem ao encontro do conceito de núcleo autônomo. Os pequenos grupos permitem improvisações individuais e, ainda assim, consegue-se realizar adaptações e seguir adiante. Pequenos grupos consorciados viabilizam a formação de uma rede que, ao contrário das organizações verticais, possibilita preservar a qualidade pessoal, ou local, enquanto continua crescendo. Sabe-se que todo o sistema apresenta perigos de autofagia e desagregação. Edgar Morin diz que a existência de todo o sistema comporta necessariamente antagonismos, que implicam necessariamente a potencialidade e o anúncio da “morte” do sistema. É preocupação da Rede evitar estes ciclos. O que fazer, então, para evitar o que está descrito no registro do conhecimento erudito e acreditado pelo domínio público? Uma idéia não morre/se autodestrói quando está em constante alimentação, renovação, atualização. Ação desenvolvida pela Rede para evitar este ciclo: qualificar os envolvidos. Um sistema não se desorganiza quando integra e utiliza os antagonismos de modo organizacional. Ação desenvolvida pela Rede: avaliação constante na busca da potencialidade organizacional - avaliação dos processos e seus resultados. Avaliar os programas, mas também avaliar a ponta, o aluno atingido pelo professor envolvido no projeto.


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M. Cristina Biazus
cbiazus@vortex.ufrgs.br

Copyright © 1997
M.Cristina Biazus 7 de Abril de 1997